quarta-feira, 21 de agosto de 2019

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Diretas sempre

Por Renan Calheiros

Eleger o presidente da República, depois de longo período de ditadura, foi um sonho que, pouco a pouco, ocupou as mentes e os corações dos brasileiros nas últimas décadas.
O anseio tomou conta de todo o país após o célebre comício da Praça da Sé, em São Paulo, realizado em 25 de janeiro de 1984, que reuniu cerca de 300 mil pessoas, e hoje comemoramos seus 30 anos.
Ainda hoje a Movimento pelas Eleições Diretas para Presidência da República é considerado o maior e a mais consequente manifestação de massas do Brasil. Sem violência, sem apelação, pacíficas e objetivas, as passeatas e comícios que se seguiram se constituem em um marco das conquistas sociais do país.
As manifestações a favor das eleições se iniciaram com uma tímida reunião de cem pessoas em Abreu e Lima, região metropolitana do Recife, organizado por vereadores do PMDB no dia 31 de março de 1973. Foi considerada uma provocação ao golpe militar. Entretanto, o desejo pela redemocratização do país falava mais forte.
Assim, a partir do comício na Praça da Sé, a campanha pelas eleições diretas para Presidência se propagaria em todo o país levando nas semanas que se seguiram 300 mil pessoas à Praça Afonso Pena, em Belo Horizonte; 250 mil em Goiânia, o que representava um quarto da população daquela capital; um milhão à Candelária, no Rio; e já em abril daquele ano de 1984, 1,5 milhão no Anhangabaú, em São Paulo.
A expectativa dos participantes dos comícios e passeatas era que fosse aprovada a emenda Dante de Oliveira. No entanto, para decepção da maioria da população brasileira, faltaram pouco mais de 20 votos. A chama da democracia que brilhou no comício da Praça da Sé deu início à retomada do respeito aos direitos civis de todos nós, brasileiros.
O Brasil mudou muito nessas três décadas. Assistimos o fim do regime militar, a retomada das liberdades democráticas, tais como a de expressão, a de organização sindical, eleitoral e partidária, de manifestação popular.
Muito mais ainda precisa ser feito. E para isso trabalhamos no Congresso Nacional. Que as manifestações presentes se espelhem naquela da Praça da Sé, que hoje comemoramos 30 anos. E que ao invés de levar destruição e morte às praças, ruas e avenidas de nosso país, sejam como uma luz a nos inspirar e iluminar.

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