quinta-feira, 20 de setembro de 2018

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MPF apresenta exposição sobre o procurador Pedro Jorge

O alagoano Pedro Jorge de Melo e Silva foi o autor das denúncias no caso conhecido nacionalmente como Escândalo da Mandioca. Depois de ameaças, foi morto em março de 1982 

Exposição sobre Procurador Pedro Jorge de Melo

Junho de 1982. O jornalista Sérgio Chapelin dá início a mais um programa Globo Repórter. Em destaque, apresenta: o nascimento da ligação entre os principais acusados do assassinato do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva. A morte de Pedro Jorge (1946-1982), um alagoano, teve repercussão nacional, pelos principais veículos de imprensa.
Mas quem foi Pedro Jorge? O Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas revela, na exposição “Pedro Jorge: um mártir da Justiça Brasileira”, a história desse homem, morto aos 35 anos, pai de duas crianças. Pedro Jorge, como procurador da República, em Pernambuco, denunciou 19 acusados no caso conhecido como “Escândalo da Mandioca”.
Durante os anos de 1979 e 1981, foi criado um esquema de desvio de uma fortuna do erário, que nos dias atuais seria de cerca de R$ 20 milhões. O dinheiro deveria ser destinado a empréstimos para o plantio de mandioca – por isso, o caso ganhou o nome de “Escândalo da Mandioca”. No entanto, servia para a construção de mansões, compra de carros.
O esquema envolvia políticos influentes, policiais militares, o gerente e alguns servidores da agência do Banco do Brasil da pequena cidade de Floresta (PE) – terreno “fértil” para todas as mazelas causadas pela seca. Foram mais de 300 financiamentos irregulares para o plantio de mandioca.

Pedro Jorge apresentou a denúncia em 6 de janeiro de 1982. No dia 3 de março, menos de três meses depois, foi morto, com três tiros à queima-roupa, após inúmeras ameaças. Foi aconselhado a abandonar o caso, por integrantes do próprio Ministério Público. A mãe de Pedro Jorge (Heloísa de Melo e Silva), numa homenagem realizada pelo MPF, este ano, contou que o procurador havia revelado – por meio de carta a um amigo – que não se afastaria da denúncia por dois motivos: o combate à impunidade e que não seria ele a transferir as ameaças a um outro colega.
O processo criminal relativo ao Escândalo da Mandioca durou 18 anos para chegar ao julgamento de 24 acusados. A Justiça condenou 22 dos réus. Os 14 mil hectares de terras sequestradas dos envolvidos no caso foram destinados à reforma agrária.

Exposição

A mostra sobre Pedro Jorge ficará exposta na Procuradoria da República em Alagoas, até o dia 2 de maio. O acervo conta com objetos pessoais, cedidos pela família, documentos – como a certidão de nascimento e a da Ordem dos Advogados do Brasil – e homenagens feitas ao procurador.
Essa iniciativa, a criação da mostra, que é itinerante, é da Fundação Pedro Jorge de Melo e Silva. Por meio da fundação, são realizados trabalhos voltados ao meio ambiente e à cidadania. A trajetória de Pedro Jorge é a inspiração para as ações. Para conhecer mais, visite o site: www.fundacaopedrojorge.org.br.

Serviço
Exposição “Pedro Jorge: um mártir da Justiça Brasileira”
Sede da Procuradoria da República em Alagoas
Av. Juca Sampaio, 1800, Barro Duro, Maceió-AL
Informações: (82) 2121-1430
De segunda a sexta, das 10h às 18h
Entrada franca
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